Quando a oportunidade existe, porque não conseguimos encontrar as pessoas?
- Outubro 23, 2026
- Publicado por: admin
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Angola precisa de empresas mais inclusivas. Mas precisa igualmente de construir as pontes que permitam às pessoas chegar às oportunidades que já começam a existir.
Durante anos, quando falámos da inclusão profissional de pessoas com deficiência ou albinismo em Angola, apontámos, justamente, a discriminação e a falta de oportunidades. Mas começa a surgir um paradoxo que merece atenção: há empresas que querem contratar e não conseguem encontrar candidatos.
Recentemente, uma grande empresa angolana manifestou interesse em integrar dez jovens com albinismo. Procurámos associações, organizações, universidades e outras instituições. Chegámos a procurar potenciais candidatos junto de serviços de dermatologia e oftalmologia. E continuamos à procura.
Uma das explicações que mais ouvimos preocupa-me: muitos têm medo de se expor.
Esse medo é compreensível. É consequência de anos de preconceito, discriminação ou sobreprotecção.
Mas revela uma falha no nosso modelo de inclusão. Proteger não pode significar tornar invisível.
Não se trata de expor ninguém, mas de criar mecanismos seguros que permitam a quem quer trabalhar dizer: estou disponível, estas são as minhas competências e estas são as condições de que necessito para
desempenhar determinada função.
Precisamos de passar da protecção para a autonomia e da sensibilização para uma verdadeira infraestrutura de inclusão.
Associações, universidades, centros de formação, Estado e empresas precisam de estar ligados por uma rede capaz de identificar, preparar e aproximar pessoas e oportunidades. E as empresas também têm de
aprender a olhar primeiro para a competência e só depois para a condição.
Uma pessoa que pode trabalhar e permanece involuntariamente fora do mercado representa talento desperdiçado, rendimento que não é gerado e autonomia que não é conquistada.
Angola precisa de empresas mais inclusivas. Mas precisa igualmente de construir as pontes que permitam às pessoas chegar às oportunidades que já começam a existir.
Porque uma oportunidade que não consegue chegar a quem dela precisa é uma oportunidade perdida.